Títulos Públicos e a Marcação a Mercado

Os títulos públicos funcionam como um referencial para o mercado de papéis privados.
27/11/2020 - Real Invest
Real Invest

Em qualquer país, os títulos da dívida pública são a base do mercado de renda fixa. Os títulos públicos funcionam como um referencial para o mercado de papéis privados. Assim, a existência de um mercado de dívida pública gera uma infraestrutura necessária para a comercialização dos títulos e estabelece um benchmark para o mercado privado.


O governo federal é, invariavelmente, o maior devedor individual no mercado financeiro. Para o investidor em renda fixa, a dinâmica da dívida pública é um elemento central do cenário dos seus investimentos. Quanto maior o seu risco, maior será o retorno requerido para financiar o governo, gerando taxas de juros estruturalmente mais altas.


Notas do Tesouro Nacional – Série B (NTN-B)


A NTN-B (também conhecida como Tesouro IPCA com juros semestrais) é o título com rentabilidade vinculada à variação do IPCA, pagamento de juros semestralmente e principal somente no vencimento. O pagamento de juros é conhecido como cupom e no caso da NTN-B equivale a 6% a.a. trazido para a base semestral.


Existe também a NTN-B Principal, que tem as mesmas características da NTN-B, à exceção do fato de não pagar cupons intermediários, sendo portanto um título de acumulação de juros para pagamento em parcela única no vencimento junto com o principal corrigido.


Letras Financeiras do Tesouro (LFT)


A LFT (também conhecida como Tesouro SELIC) é o título com rentabilidade vinculada à variação da taxa Selic e que não tem pagamento de juros. O pagamento ao investidor ocorre de forma única, no vencimento e equivale ao principal investido corrigido pela taxa Selic do período mais uma taxa de ágio ou deságio (a pequena taxa prefixada observada no momento da compra).


Letras do Tesouro Nacional (LTN) e Notas do Tesouro Nacional – Série F (NTN-F)


A LTN (também conhecida como Tesouro Prefixado) e NTN-F (Tesouro Prefixado com juros semestrais) são títulos que possuem valor nominal no vencimento equivalente a R$1000,00 e sua rentabilidade é dada pelo deságio, ou seja, a taxa de desconto implícita no preço do título no momento da compra. O resgate do principal ocorre na data do vencimento.


No caso da LTN não há pagamento de cupom. Para a NTN-F ocorre cupom de 10% a.a. pago semestralmente e a rentabilidade prefixada sofre influência da taxa interna de retorno (TIR) do fluxo de pagamento dos cupons além do deságio sobre o valor nominal do título.


 Segue abaixo quadro resumo com os títulos disponíveis atualmente:


 



Marcação a Mercado


Quando você compra um título público está se tornando credor do Brasil. Está emprestando dinheiro e em troca está recebendo um título que é a garantia de pagamento. Cada título tem uma data de vencimento e nesta data ele será automaticamente recomprado e você receberá o valor investido corrigido pelos juros prometidos no dia da compra.


No entanto, caso você escolha vender o título antes do vencimento entra em cena o conceito de marcação a mercado. Existe um mercado secundário (aquele em que um investidor vende para outro) bastante ativo de títulos públicos federais e este é o responsável por prover a liquidez que permite ao investidor se desfazer do papel antes do prazo do vencimento.


O mercado secundário também cumpre a importante função de fornecer cotação para esses títulos através das negociações entre investidores que ocorrem ao longo do dia.


Sendo assim é importante salientar que o preço de cada título, no mercado secundário, é definido pela expectativa de compradores e vendedores sobre a taxa de juros básica média que irá vigorar do dia atual até o vencimento do título. E sabemos que essa expectativa varia ao sabor dos mercados, com suas por vezes bruscas oscilações de humor.


E como exatamente essa expectativa sobre juros futuros se traduz num preço para o título, visto que é pelo preço que podemos calcular lucro/prejuízo do investimento? Através das seguintes fórmulas, que fornecem como resultado o preço a mercado dos títulos:




Onde,


DU = dias úteis até o vencimento do título;


Taxa = taxa efetiva anual de juros de negociação em mercado (que normalmente reflete a expectativa do mercado sobre a taxa básica média do dia atual até o dia de vencimento do título);


VNA = valor nominal atualizado do título, ou seja, o valor de R$ 1000 na data-base corrigido pelo seu indexador (Selic, IPCA etc.) até a data atual. A data-base é a data de referência definida pelo Tesouro para o início da correção do valor do título (15/07/2000 para NTN-Bs e 01/07/2000 para LFTs).


COTAÇÃO = é uma porcentagem. Valores acima de 100% significam um ágio sobre o VNA do título enquanto valores abaixo de 100% significam um deságio (desconto) sobre o VNA.


Conclusão


Dois pontos importantes para a nossa conclusão, caro investidor. Primeiro, os títulos pagadores de cupons utilizam uma fórmula de preço um pouco mais complexa pois envolve trazer para valor presente todo o fluxo de cupons restantes até o vencimento. Talvez num artigo futuro volto a falar sobre isso.


Segundo, repare que a simplicidade das fórmulas matemáticas de precificação dos títulos é bem reveladora. Quando a expectativa sobre a taxa de juros futura se altera ou quando compradores exigem mais ou menos taxa para ficar com o título, o preço dos títulos públicos se altera de forma oposta graças à relação entre taxa e preço na fórmula.


Dessa forma, se o mercado passa a contar com uma taxa de juros média mais alta no futuro o preço do título nas negociações no secundário é reduzido. Se por outro lado, o mercado passa a apostar numa taxa média no período futuro mais baixa, o preço do título sofrerá uma valorização por via da marcação a mercado.


Texto por Bruno Rezende (Assessor Real Invest) 

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