Poupança: pior para você, melhor para eles

A poupança é cada vez mais uma opção pior para o patrimônio do poupador. Entenda porquê.
11/02/2021 - Real Invest
Real Invest

Uma das aplicações mais tradicionais e conhecidas do brasileiro, a poupança é cada vez uma opção pior para o patrimônio do poupador. Entretanto, somos constantemente bombardeados pelos telejornais com notícias de que o volume de recursos na caderneta de poupança cresce mês após mês.


Vamos aqui tentar entender esse fenômeno e como podemos escapar dessa cilada.


A Poupança


A caderneta de poupança (ou somente poupança), é um produto exclusivo das sociedades de crédito imobiliário, dos bancos múltiplos, das associações de poupança e empréstimo e das caixas econômicas.


O intuito dessa aplicação sempre foi o direcionamento de crédito barato para financiamento de imóveis e por isso, dos recursos dos depósitos em poupança, no mínimo 65% devem ser distribuídos para operações de financiamento imobiliário.


Sabemos então que quando você deixa seu dinheiro na poupança, o banco empresta esse dinheiro para outros clientes e recebe uma taxa de juros elevada por isso. Em contrapartida, você recebe 70% da Taxa Selic + TR (Taxa Referencial – calculada pelo Banco Central), líquido de imposto de renda.


Considerando que a meta da Taxa Selic atualmente em vigor é 2% a.a. e a TR = 0% a.a., a rentabilidade da poupança é de meros 1,4% a.a.; parece pouco e é mesmo.


Ao longo dos anos, o governo federal fez algumas alterações nas regras da poupança para reduzir sua remuneração. Em 2007, o Conselho Monetário Nacional (CMN) modificou o cálculo da TR para piorar a remuneração da poupança.


Em 2012, a tradicional taxa de 0,5% ao mês da poupança foi alterada. Pela regra atual o rendimento da poupança será de 0,5% a.m. + TR somente quando a Taxa Selic for maior que 8,5% a.a. e no caso de Taxa Selic menor ou igual a 8,5% a.a., o rendimento será 70% da Taxa Selic + TR.


Dessa forma, várias mexidas de diversos governos foram aos poucos mudando a regra do jogo; o que antes era uma remuneração fixa de 6,17% a.a. (0,5%a.m.) + TR se tornou 1,4% a.a. + TR (com uma TR mantida em 0% desde 2017). Pior para você, melhor para eles (os bancos).



Opções além da Poupança


Remuneração como a que temos atualmente na poupança (1,4% a.a.) não é capaz de fazer frente à inflação (IPCA = 4,52% a.a. em 2020).


É preciso acordar para essa terrível realidade que é perder dinheiro para a inflação.


Repare no gráfico abaixo a evolução de R$ 100 mil aplicados por 2 anos e os retornos em 12 e 24 meses para ver como a inflação vem consistentemente batendo a poupança.




Fonte: www.comdinheiro.com.br


Na busca por outras possibilidades de investimentos, temos que as supostas vantagens da poupança como segurança, facilidade de aplicação, liquidez diária, isenção de IR e baixo valor de entrada podem ser amplamente encontradas em outros produtos de investimento mais rentáveis como CDB, LCI, LCA, títulos do tesouro.


Veja o título do tesouro LFT (Tesouro Selic), por exemplo: enquanto a poupança conta com garantia do FGC somente até R$ 250 mil, a LFT é 100% garantida pelo Tesouro Nacional.


Outras características são facilidade de investimento, liquidez e rentabilidade de 100% da Taxa Selic, que mesmo não tendo isenção de IR consegue ser mais vantajosa que a remuneração da poupança.


No gráfico abaixo, temos a comparação de R$ 100 mil investidos na poupança e em LFT rendendo a Taxa Selic. Ao final do período temos um montante bruto de R$ 108.519,76.


Aplicando-se a alíquota de IR de 15% sobre o lucro, temos um valor líquido de R$ 107.241,80 que é maior que o montante gerado na poupança (que já é líquida de imposto de renda).



Fonte: www.comdinheiro.com.br



Pior para você, melhor para eles


O aumento da renda das famílias (em muito ajudado pelo auxílio emergencial), a desinformação e os gerentes de banco que tem interesse em captar dinheiro pelas baixas taxas da poupança para emprestar por juros maiores contribuem para o aumento do volume em caderneta de poupança, mas não podem ser justificativas para milhões de brasileiros continuarem a perder dinheiro investindo em um péssimo produto.


Busque especialistas, eduque-se e lembre-se sempre do título desse artigo: quanto pior para você, melhor para eles (os bancos).



Texto por Bruno Rezende (Assessor Real Invest)

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