Elas que lutem - principais desafios da mulher para investir

No primeiro semestre de 2020 um fato histórico aconteceu: o número de mulheres com conta aberta na bolsa de valores, a B3, saltou 46%, crescimento maior que o dos homens, ultrapassando o marco de 560 mil CPFs cadastrados.
08/10/2020 - Real Invest
Real Invest

No primeiro semestre de 2020 um fato histórico aconteceu: o número de mulheres com conta aberta na bolsa de valores, a B3, saltou 46%, crescimento maior que o dos homens, ultrapassando o marco de 560 mil CPFs cadastrados.


 


Pessoa Física

Quantidade de investidores

%

Homens

1.816.662

 

75,26%

 

Mulheres

568.628

 

23,56%

 


Fonte: B3


 


Esse é um fato que precisa ser comemorado, afinal de contas, voltando um pouco no tempo, apenas em 1962, com o Estatuto da mulher casada, a mulher passou a ter o direito de abrir uma conta em seu nome, sem a autorização do seu marido.

Esse dado, da B3, me levou a pensar: De modo geral, como é a participação feminina no mundo dos investimentos?

Pois bem, apesar desse dado expressivo, apenas 23,56% dos investidores, na bolsa, são do sexo feminino, já no tesouro direto, são 31,5%. Número pequeno, visto que as mulheres são maioria da população brasileira (51,7%).



Investidores por Gênero

Total

Homens

68,5%

Mulheres

31,5%


Fonte: Tesouro Direto


Mas afinal, por que esse número é tão pequeno?


Cultura


Em um primeiro momento, enfrentamos a barreira cultural, que enraizou a ideia que mulher não sabe cuidar do seu próprio dinheiro, não é boa em matemática, não entende de economia e só sabe gastar.

Nesse ponto, acho importante destacar a diferença do comportamento de consumo entre os gêneros.

Os homens costumam comprar bens duráveis, com valores mais elevados, como o carro, casa, itens ligados a tecnologia e ao esporte, por exemplo. Já a mulher, parte de sua renda é consumida dentro de casa, na administração do lar e no cuidado com os filhos.

Em relação aos gastos pessoais, devido a cobrança estética, costumam gastar mais com roupa, maquiagem, salão de beleza e tratamentos estéticos.


Falta de Conhecimento


Outro ponto que influencia no baixo índice de investimento é a falta de conhecimento, uma vez que ela delega esse assunto para o cônjuge ou gerente do banco, acaba não se envolvendo no assunto e por vezes achando complicado.

Em uma pesquisa realizada pelo Banco Itaú sobre comportamento financeiro das mulheres, foi constatado que apesar delas estarem ganhando mais, a confiança para lidar com o seu dinheiro, não cresceu na mesma proporção, ou seja, ela não tem auto estima financeira.


Jornada de Trabalho


Antes da revolução industrial, em 1940, tomar conta da casa e dos filhos, eram as únicas atividades das mulheres. Com a falta de mão de obra nas indústrias, as mulheres passaram a trabalhar fora de casa.

No entanto, elas continuaram e continuam sendo responsáveis pelo cuidado com a casa e com os filhos. Essa ainda é a realidade de muitas mulheres no brasil e no mundo.

A dupla e por vezes tripla jornada de trabalho, seria um outro motivo, do porquê as mulheres não investem. Uma vez que trabalham fora, cuidam da casa, dos filhos, dentre outros afazeres, acabam não tendo tempo de se aprofundar neste assunto.


Falta de dinheiro


Para finalizar, apesar de serem mais escolarizadas que os homens, 22,8% das mulheres tem nível superior ,já os homens são 18,4%, segundo dados do IBGE.

Quando o assunto é mercado de trabalho, as mulheres recebem 28% a menos, para exercer a mesma função. Segundo relatório, do fórum econômico social, a igualdade dos gêneros, se a evolução feminina continuar nesse ritmo, só se dará em 2095.

Com isso, uma vez que recebe menos e gasta mais, acaba não sobrando dinheiro para investir.


Onde investem?


Segundo Denise Damiani, especialista em finanças femininas, as mulheres que investem, em renda variável, são, em sua maioria, brancas, da classe A e B e residentes na região sudeste do país.

Helena Veronese, da gestora de recursos Azimut Brasil, acrescenta que as investidoras em bolsa, são aquelas que conseguem juntar dinheiro no final do mês, tem alto nível de escolaridade e salários equivalente, ou superiores, aos dos homens.

No entanto, o que observamos, é que a grande maioria, acabam tendo um perfil de risco mais conservador nos investimentos, uma vez que se preocupam mais com a segurança da família e a educação filhos, optando por ganhar pouco, mas ganhar sempre. Preferindo alocar seu recurso na poupança, previdência privada e em imóveis.  


Como mudar esse cenário?


Como vimos, a participação do publico feminino no mercado de investimento é pequena, no entanto a busca pela independência pessoal e financeira é cada vez maior.

Logo, para aumentar o número de investidoras, é necessário investir na educação financeira. A mulher precisa se sentir representada e acolhida, nesse ambiente predominantemente masculino.

Ter um espaço para discutir sobre finanças, tendo acesso a conteúdo que lhe agregue conhecimento e que leve em consideração seu perfil comportamental e emocional.

A mulher precisa ter seus objetivos claros de investimento. Fazer um planejamento financeiro. Criar sua reserva de emergência, começar a investir e se informar sobre os tipos de investimento.

É preciso vencer a barreira cultural ,perder o medo de investir e parar de duvidar da sua capacidade de gerenciar seu próprio recurso. Ela precisa começar. 


Texto por: Helaine Meneses (Assessora Real Invest) 

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